
Planilha de Medição de Obra
18/08/2020
Planilha de Cálculo do BDI
19/08/2020O sucesso de qualquer empreendimento no setor da construção civil está diretamente relacionado à precisão do seu planejamento orçamentário. Por isso, calcular corretamente o preço de venda de um serviço ou obra é uma das principais tarefas para garantir a saúde financeira do negócio. Consequentemente, compreender o que é o BDI e saber como aplicar a sua fórmula matemática representa uma competência vital para engenheiros, arquitetos e gestores de obras profissionais.
O BDI (Benefício e Despesas Indiretas) é uma taxa percentual aplicada sobre o custo direto de uma obra para definir o preço de venda final. Ele serve para cobrir os custos indiretos (como administração central e custos financeiros), os impostos incidentes e a margem de lucro desejada pela construtora.
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Abaixo detalhamos a fórmula matemática e o passo a passo para calcular a taxa de BDI. Para simplificar a sua rotina de cálculo e gerenciar todos os custos e cronogramas da equipe sem erros, conheça o nosso Pacote de Planilhas Premium de Gestão de Obras.
O papel do orçamento e da engenharia de custos
O mercado imobiliário e de obras de infraestrutura é altamente dinâmico no país. De fato, levantamentos efetuados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e noticiados em portais como o G1 e o UOL evidenciam que empresas que pecam na elaboração do orçamento inicial enfrentam prejuízos severos. Além do mais, dados técnicos divulgados pelo AECweb mostram que as oscilações de preços de insumos como cimento e aço exigem revisões constantes. Por isso, a taxa de BDI deve ser dinâmica, baseada na estrutura de custos de cada empresa e nas peculiaridades de cada canteiro de obras.
Dessa forma, ao estruturar um orçamento de obras, o profissional deve separar com clareza o que constitui custo direto daquilo que é despesa indireta. Essa divisão ajuda a evitar a sobreposição de custos ou omissões graves de despesas administrativas da sede central que comprometem o faturamento final.
Diferença crucial entre custos diretos e custos indiretos
A engenharia de custos divide os gastos de um projeto em duas macrocategorias. Por conseguinte, entender essa diferença é o primeiro passo antes de calcular a taxa percentual do BDI:
Custos Diretos
São todos os gastos diretamente envolvidos na execução física das tarefas no canteiro. Por exemplo, enquadram-se nessa categoria a aquisição de materiais de construção (tijolos, argamassa, fiação elétrica, gesso), a contratação da mão de obra direta (pedreiros, ajudantes, pintores) e o aluguel de maquinários pesados utilizados no local (retroescavadeiras, betoneiras, andaimes). Em suma, os custos diretos cessam no momento em que a obra é paralisada.
Custos Indiretos
São os custos necessários para apoiar a execução do projeto, mas que não se incorporam fisicamente aos serviços executados. Como exemplo, enquadram-se as despesas com a equipe de supervisão (engenheiro residente, mestre de obras, almoxarife), as instalações provisórias do canteiro (barracão de obra, refeitório, banheiros químicos), o consumo de água e energia provisória, e a segurança patrimonial. Ademais, as despesas corporativas da sede administrativa da construtora são enquadradas como custos indiretos.
Quais são os componentes que integram a fórmula do BDI?
Para calcular o BDI com precisão matemática, o gestor de obras deve tabular detalhadamente cada uma das variáveis de despesas indiretas que afetam o negócio:
1. Administração Central (AC)
A administração central compreende os gastos operacionais de manutenção do escritório central da construtora. Enquadram-se aqui os salários do pessoal corporativo (diretoria, contabilidade, financeiro, marketing), o aluguel da sede central, contas de água, energia, internet, seguros gerais e materiais de expediente. Cada obra em andamento deve absorver uma fatia proporcional deste custo fixo anual por meio de rateio.
2. Despesas Financeiras (DF)
Referem-se aos custos associados ao capital de giro necessário para executar a obra. Em licitações públicas ou privadas, as medições de serviços ocorrem de forma mensal e o pagamento costuma ser liberado de 30 a 60 dias após a aprovação do relatório de avanço. Por essa razão, a construtora precisa de capital próprio ou empréstimo bancário para pagar salários e fornecedores no período de carência. O BDI deve contemplar esse custo financeiro.
3. Garantias, Seguros, Riscos e Imprevistos (G, S, R)
Nenhuma obra está isenta de imprevistos ou atrasos climáticos. Por isso, o percentual de risco serve para provisionar recursos para atrasos, retrabalhos, acidentes de trabalho e flutuações de preços. Da mesma forma, seguros obrigatórios de responsabilidade civil e garantias exigidas em contratos de incorporação imobiliária devem ser embutidos nessa parcela de segurança do cálculo.
4. Lucro ou Remuneração da Construtora (L)
O lucro representa o benefício real que o empresário retém após a quitação de todas as despesas diretas, custos de canteiro, impostos federais e rateios administrativos da sede. É a remuneração pelo capital investido e pelo risco corrido ao executar o projeto. A margem deve ser compatível com as práticas de mercado para manter a empresa competitiva e atrativa.
5. Tributos e Impostos Incidentes (T)
São as taxas fiscais recolhidas sobre o faturamento bruto gerado no fechamento de cada medição. No caso de serviços de engenharia e obras no Brasil, destacam-se o PIS (Programa de Integração Social), a COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e o ISS (Imposto Sobre Serviços, municipal). Além disso, dependendo da escolha tributária da construtora, a CPRB (desoneração da folha de pagamento) deve ser inclusa no cálculo.
Como calcular o BDI: a fórmula consagrada pelo TCU
A fórmula padrão adotada pela engenharia de custos no Brasil, validada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em seu histórico Acórdão nº 2622/2013, utiliza conceitos de matemática financeira. Ela é expressa da seguinte maneira:
BDI = [ ( ( 1 + AC + S + G + R ) * ( 1 + DF ) * ( 1 + L ) ) / ( 1 – T ) ] – 1
Onde as variáveis devem ser inseridas em formato decimal. Por exemplo, se a Administração Central (AC) representa 4% do rateio, utilize o valor de 0,04. Consequentemente, para calcular a taxa de BDI, multiplique os fatores de benefícios no numerador e divida o resultado pelo fator tributário redutor no denominador. Após obter o resultado decimal, multiplique por 100 para convertê-lo em percentual.
A título de exemplo prático de cálculo, se uma obra apresenta os seguintes índices: AC = 4,50% (0,045), S = 0,50% (0,005), G = 0,30% (0,003), R = 1,00% (0,01), DF = 1,20% (0,012), L = 7,50% (0,075) e T = 8,65% (0,0865). O numerador será o produto de 1,063 * 1,012 * 1,075, resultando em 1,1564. Dividindo esse valor por (1 – 0,0865), ou seja, 0,9135, obtemos 1,2659. Subtraindo 1 e multiplicando por 100, a taxa final de BDI recomendada para este orçamento seria de 26,59% sobre os custos diretos.
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O custo de oportunidade de criar planilhas do zero
Muitos profissionais e novos empresários pensam em desenvolver suas próprias planilhas no Excel para gerenciar o BDI. No entanto, a análise lógica do seu custo de oportunidade demonstra que esse é um erro comum de foco empresarial.
O maior inimigo do engenheiro civil ou arquiteto autônomo é o relógio. De fato, o tempo gasto programando planilhas, desenhando tabelas dinâmicas, corrigindo erros de referências circulares e formatando painéis visuais no Excel é altíssimo. Enquanto você perde 10, 20 ou até 30 horas de trabalho operacional criando e testando fórmulas complexas, você deixa de estar no canteiro acompanhando a qualidade física da obra, visitando novos clientes ou fechando novos contratos de projeto. Por conseguinte, se a sua hora técnica custa em média R$ 100,00 no mercado nacional, criar uma planilha básica custará na verdade mais de R$ 1.500,00 do seu tempo útil de faturamento.
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Valores de referência aceitáveis do BDI pelo TCU
Para evitar distorções de preços em licitações e auditorias de obras, o Tribunal de Contas da União (TCU) estabeleceu faixas de valores limites aceitáveis para as taxas de BDI. De acordo com o tipo de infraestrutura ou serviço contratado, a tabela oficial de BDI (Acórdão 2622/2013) define os limites de quartil inferior, médio e superior:
| Tipo de Obra / Serviço | 1º Quartil (Mínimo) | Médio (Recomendado) | 3º Quartil (Máximo) |
|---|---|---|---|
| Construção de Edifícios Gerais | 20,34% | 22,12% | 25,00% |
| Saneamento e Redes de Água | 20,76% | 24,18% | 26,44% |
| Obras Rodoviárias e Pavimentação | 19,60% | 20,97% | 24,23% |
| Instalação de Redes Elétricas | 20,22% | 25,32% | 29,96% |
Conforme as diretrizes técnicas do Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos (IBEC), taxas de BDI significativamente superiores ao terceiro quartil são passíveis de questionamento e desclassificação de propostas comerciais. Além disso, taxas abaixo do primeiro quartil acendem alertas sobre a sustentabilidade operacional da empresa, indicando provável subprecificação.
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A importância de integrar BDI e cronograma físico-financeiro
A taxa de BDI não deve ser considerada estática ao longo do tempo. Ademais, o andamento físico da obra afeta diretamente a amortização dos custos de administração central e despesas financeiras. Por isso, a correta distribuição das parcelas de rateio de sede deve ser alinhada ao cronograma de obra do empreendimento.
Com o tempo, ao cruzar o percentual de BDI com a curva S de desembolso na sua planilha de custos de obra simples no Excel, você consegue provisionar o capital de giro necessário, mantendo o faturamento equilibrado no escritório.
Dessa forma, ao registrar as despesas administrativas de campo no seu diário de obra digital, você mantém um histórico preciso de controle de custos indiretos, facilitando auditorias.
Por fim, na hora de realizar o fechamento dos contratos e efetuar a medição contratual na planilha de medição de obra, a aplicação correta da taxa de BDI garante que os lucros e impostos estejam faturados conforme contratado.
Veja também nosso guia detalhado sobre tecnologia para gestão de obras e conheça o modelo de planilha de fluxo de caixa para aperfeiçoar sua gestão financeira na construção civil.
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A taxa de BDI, portanto, serve como a ponte necessária que conecta as despesas físicas do canteiro ao faturamento comercial administrativo real da empresa no mercado, sendo fundamental para o sucesso de novos negócios de engenharia e arquitetura.
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🚀 Obter Kit Premium Completo de Gestão de ObrasPerguntas Frequentes (FAQ) – O que é BDI
Abaixo, respondemos às principais dúvidas técnicas sobre a composição e cálculo da taxa de BDI na construção civil:
Qual a diferença básica entre BDI e LDI?
O BDI (Benefício e Despesas Indiretas) e o LDI (Lucro e Despesas Indiretas) são sinônimos. Contudo, em termos de nomenclatura legal e normas técnicas, o termo BDI é mais difundido na engenharia civil, enquanto o LDI costuma ser empregado preferencialmente por determinados órgãos públicos estaduais.
Impostos sobre o lucro entram no cálculo da taxa de BDI?
Não. Impostos diretos que incidem sobre o lucro líquido da empresa (como IRPJ e CSLL) não devem figurar na fórmula de BDI para obras públicas. Consequentemente, eles devem ser pagos pela construtora a partir do lucro bruto estipulado na taxa de remuneração.
A taxa de BDI varia de acordo com o tamanho da obra?
Sim. Em geral, obras maiores diluem de forma mais eficiente as despesas com administração central e mobilização de pessoal. Por essa razão, a taxa de BDI de grandes empreendimentos costuma ser percentualmente menor do que a taxa aplicada em reformas e pequenas obras residenciais.
O que acontece se eu omitir o BDI no meu orçamento?
A omissão do BDI faz com que a construtora pague os custos indiretos e impostos com a própria margem de lucro. Por conseguinte, essa falha de precificação costuma zerar os lucros reais e induz a empresa à falência devido ao descompasso de faturamento no canteiro.
As planilhas de gestão premium ajudam a calcular o BDI?
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